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18 de jun de 2008

TEORIA E/OU PRÁTICA



CLASSIFICAÇÃO E SERIAÇÃO_ O QUE MODOU EM MINHA VIDA PROFISSIONAL?

È estranho pensar que sou professora atuante há cinco anos e antes disso trabalhava como atendente de educação infantil e nunca antes havia pensado nem sequer tido noção dos conceitos de seriação e classificação. Quando comecei a ler os textos propostos pela interdisciplina de matemática, estudava euforicamente pelas descobertas que eu ia fazendo e pelo conhecimento que desenvolvia e crescia a cada palavra lida. Um conteúdo de tal importância! Fico me perguntando de o porquê não estudei no magistério quando me formava para ser professora de 1ª a 4ª série, justamente as séries iniciais que mais se precisa dos materiais que desenvolvem nas crianças os conceitos básicos que servirão de noções para toda a sua vida. Logo no início deste semestre, percebi que em exatamente todas as atividades da interdisciplina de matemática, eu ocuparia na minha prática em sala de aula, todas as atividades. Por este motivo, sempre que nos foi solicitada uma atividade, o planejamento desta, eu fiz para o primeiro ano do ensino fundamental. Todas as atividades foram postas em prática por mim, antes ou depois de posta-las. Algumas vezes a atividade solicitada era por coincidência a que eu estava trabalhando em sala de aula ou já havia trabalhado com meus alunos. Aí foi fácil. Tive uma resposta imediata do desenvolvimento destas em sala de aula, das dificuldades em pô-las em prática ou dos sucessos dos resultados. Claro, estes últimos permaneceram na maioria. Em tudo o que as crianças fazem e fizeram, faço uma associação à teoria que vou estudando e as atitudes dos alunos. Fiquei meio paranóica eu acho. Comecei a ver classificação e seriação em tudo o que as crianças faziam e fazem. Em uma ocasião um aluno, bravo comigo por que não queria obedecer à rotina, se negou a fazer a atividade da folinha e emburrado se auto-excluiu, de repente olho para ele e lá estava separando as colas na caixa de cola, fiquei observando qual o critério que ele estava usando e percebi que separava e ordenava os tubos de cola por tamanho. Em outro momento uma aluna de 5 anos havia usado a tampa da caixa dos legos e ordenado eles de forma bem estranha para mim, por alguns minutos tentei identificar quais os critérios que ela esta usando e nada de eu entender. Não era por tamanho, cor ou forma que são os mais óbvios. Pareciam colocados ali sem critério algum, acontece que a concentração desta criança era tanta que neguei esta possibilidade. Estudei, estudei, estudei e bem mais tarde entendi que ela separava-os por marca. Como estes legos vão sendo todos os anos acrescentados por irem se perdendo aos poucos, nem sempre a escola compra da mesma marca e fábrica. Fiquei pasma, uma menina com muitas dificuldades de aprendizagem talvez por ser imatura cognitivamente, estava ali separando e classificando os legos por um critério que teria por mim passado despercebido. Ela percebeu algo que eu não havia percebido. Compreendi então a teoria que diz que “classificação e seriação depende da relação que o sujeito faz e tem com o objeto”. Perceber esta relação pode nos abrir caminho para intervirmos no processo de aprendizagem das crianças. Que maravilha. Como não dizer que fantástico! E pensar que tive de olhar no dicionário e no google para saber o que significa as palavras classificação e seriação na matemática. Hoje me pergunto como eu pude dar aula sem conhecer estes conceitos e sem identificar esta prática nas ações de meus alunos no primeiro ano? Hoje não só sei do que estou falando como também percebo e proporciono aos meus alunos esta atividade. É possível compreender o nível de conhecimento em que eles encontram-se e também cooperar no desenvolvimento e construção do conhecimento.