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12 de abr de 2008

PENSANDO E PRATICANDO ESTUDOS SOCIAIS

Relembrando minha trajetória de discente, cursei meu ensino fundamental na década de 80, em uma Escola estadual no interior do RGS. Talvez a localização e os anos expliquem o fato de lembrar-me das aulas de Estudos Sociais com clareza. Lembro-me que estudávamos conteúdos relacionados à política do município, estado e país. Os desfiles em dias 7 de setembro eram “O Acontecimento do ano”. Preparávamos-nos ano todo para tal, roupas e apresentações. Lembro-me de mobilizações para doação de uniformes às crianças “carentes” para que exatamente todos os alunos da escola desfilassem. Não era permitida nenhuma falta. Eu sempre ia para a Avenida integrante de um grupo, lembro-me de ter desfilado de roupa de balé fazendo uma coreografia, vestida de gaúcha tradicionalista, toda de vermelho integrante do coral da escola, etc. Cada ano era um novo tema, ensaios e mais ensaios. Todos se envolviam, toda a comunidade. A cidade toda se preparava para assistir aos desfiles do dia 7 de setembro. Era lindo, realmente um espetáculo. Havia um espírito de cidadania que hoje não vejo mais nas pessoas. Tínhamos USPB, assunto chato, mas onde aprendi os símbolos brasileiros, hino nacional e tudo o que veio de conhecimento nas entrelinhas. Um sentimento de cidadã parte de uma sociedade e com uma consciência crítica sobre esta que me formou atuante nela. Lembro-me que se um aluno fosse pego cantando o Hino Nacional mastigando chiclete, era colocado de castigo sem contar à vergonha que passava diante de todos, era humilhante não ter respeito e honrar o nosso País. Talvez os professores exagerassem, mas sinto saudade de quando algumas coisas tinham um sentido. Cabem a nós professores resgatarmos o sentimento de civismo, ser críticos atuantes na sociedade.
Trabalho com o primeiro ano do Ensino Fundamental e não possuo muita prática no ensino de Estudos Sociais. Porém vou tentar rever minha trajetória e redescobrir meus conceitos e através dos estudos dos textos criar outros com certeza. “Se estudos sociais muitas vezes nem é lembrado nas séries iniciais” (Maria Aparecida Bergamaschi ), esta é a explicação no meu entender, talvez até abordemos e trabalhamos com conteúdos que são Estudos Sociais, mas nem ao menos nos damos conta nas séries iniciais. Não há uma definição clara e nem objetivos claros nem para os professores, quanto menos transmitir um sentido de Estudos Sociais para as crianças.
Quanto à idéia muito bem escrita no texto sobre planejamento, devo confessar que neste ano todo o meu método de trabalho tem sido renovado. Até ano passado com quatro anos de nomeação no estado, minhas aulas não eram planejadas, considerava que eu sabia exatamente os conteúdos e formas a ser trabalhados com meus alunos. No entanto depois que comecei a estudar neste curso meu pensamento foi tomando outra forma. Hoje sei que ao planejar minhas aulas consigo estabelecer objetivos claros e posso avaliar meu trabalho de forma sistemática e crítica. Todas as minhas aulas são planejadas e através de projetos onde consigo trabalhar as disciplinas de primeiro ano, integrando-as inclusive com o lúdico, jogos e brincadeiras. Tenho traçado metas e caminhos para alcançar o que desejo com as crianças, isso tem me passado segurança e minhas aulas passaram a ter qualidade e valor teórico onde posso pesquisar em meu próprio trabalho registrado, os conteúdos que são propostos neste curso.
Em nosso dia a dia em sala de aula temos trabalhado Estudos Sociais com as crianças sem objetivarmos este conteúdo e talvez transmitindo uma idéia de que não tem tanta importância quanto os conteúdos de outras disciplinas como matemática, por exemplo. Com as crianças conceituamos o EU e o Outro, EU e o Grupo, EU e a Família, EU e o Professor; Relação espacial e temporal: antes, durante, depois, ontem, hoje e amanhã; Direitos e Deveres; Família: modelos, componentes, origem familiar, trabalho, moradia, costumes; Causalidade: causa/efeito, por quê? Calendário; Dias da semana e do mês, Datas Comemorativas; Identidade/subjetividade, espaço/tempo, memória, poder, lugar,
Representação, cidadania e ética; Orientação espacial: sala de aula, a escola, a cidade; Espaço natural: A comunidade do homem, aspectos físicos, históricos, econômicos, sociais e humanos; Comunidade: Princípios de convivência social, Preservação dos bens públicos e a interação comunidade/escola. Porém sem um planejamento documentado e com objetivos fundamentados em teoria Pedagógica. Dando a importância que estes conteúdos têm para que possamos intervir na realidade social em que vivemos e reconhecendo na criança um ser social que vive num espaço/tempo o qual deve agir e transformar.
Eu diria hoje no quarto semestre do curso, depois da forma que vem tomando o conhecimento que vou adquirindo que: Compete a mim professora buscar, nas diferentes áreas do conhecimento, as ferramentas para analisar, adquirir e compreender as diferentes concepções e práticas, transformar o conhecimento em saber escolar; participar como autor da organização de projetos educativos escolares e não-escolares que expressam os anseios da sociedade. O eixo de nossa formação, portanto, é o trabalho pedagógico, escolar e não escolar que tem na docência o seu principal fundamento, e com isso transmitir com meu exemplo uma prática social crítica e atuante nas questões da comunidade.
Nosso planejamento deve ser coerente com a realidade, para tanto, é necessário um estudo e pesquisas com as crianças sobre tudo o que as envolve , sendo apontado problemas, situações que necessitam de intervenção e atitude em resolvê-las. Tendo como base um estudo histórico, geográfico de nosso povo. No caso a comunidade, município, estado, país e mundo. Sempre levando em consideração o grau de compreensão da criança nestes assuntos. Uma idéia é começar com o Eu indivíduo, depois Eu social, Família, trabalhar a identificação do aluno com vistas às noções de cidadania e também noções de mapeamento. “Trabalhar com estudos sociais é mostrar que as pessoas são diferentes, que as culturas são diferente, que a realidade do campo e da cidade é diferente, que o mundo é diferente...” (Revista Nova Escola).
Como diz Edson Vara: "É fundamental estar atento às formas como se produzem as desigualdades entre pessoas e grupos sejam elas atribuídas à raça, à classe ou ao sexo”.
O planejamento das aulas deve começar com propósitos claros sobre as finalidades dos conteúdos na preparação dos alunos para a vida social: que objetivos mais amplos queremos atingir com o nosso trabalho, qual o significado social destes conteúdos que abordamos o que pretendemos fazer para que meus alunos reais e concretos possam tirar proveito da escola etc. As finalidades ou objetivos gerais que o professor deseja atingir vão orientar a seleção e organização de conteúdos e métodos e das atividades propostas aos alunos. Fazer do universo escolar como alavanca para transformações. As crianças observarem os problemas da sociedade e, em seguida, elas mesmas sugerem soluções. É difícil planejar uma aula bacana sem levar em consideração as concepções prévias dos educando. Elas fazem parte de um sistema de representações que tem sua coerência e suas funções de explicação do mundo. Trabalhar a partir das representações dos alunos não é fazê-los expressarem-se, para desvalorizá-la imediatamente. O importante, de acordo com Perrenoud (2000), é dar-lhes regularmente direitos na aula, interessar-se por essas representações, tentar compreender suas raízes. As perspectivas atuais de educação objetivam desenvolver o ser humano de forma integral, preparando-o para a convivência no meio social. Com base na busca pela autonomia de estudo, educar consiste em um processo que pretende ensinar o aluno a conhecer e reconstruir esse conhecimento, a manifestar esse conhecimento nas relações, a conviver pacificamente com os outros e a aprender a ser, pensar, exercer a responsabilidade, enfim, sendo um indivíduo autônomo.
Nesse sentido, educar não é simplesmente ensinar a memorizar uma série de conteúdos científicos, mas conduzir o aluno rumo à organização do pensamento, estabelecendo relações com a realidade. Isso pressupõe o desenvolvimento da autonomia de estudo, por meio da qual o aluno se sente motivado e mobilizado para a busca do conhecimento. Para tanto, é preciso mobilizar o educando, objetivando o vínculo significativo entre o sujeito e o objeto. Estas transformações no ensino podemos nós, professores faze-las através dos planejamentos conscientes em Estudos Sociais.

http://www.cee.sc.gov.br/ensino_distancia/EM%20BUSCA%20DA%20AUTONOMIA%20DE%20ESTUDO.doc
Bibliografia: Plano de Estudos do Primeiro Ano do Ensino Fundamental.

(um dos dias 7 de setembro da vida)