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18 de abr de 2010

1ª SEMANA



Reflexão da semana

Nesta primeira semana de aulas que contemplam o projeto de estágio que é: desenvolver nas crianças a capacidade de verbalizar e expressarem-se, percebo com alegria avanços significativos:
_ Crianças que não falavam, já apresentaram progresso neste sentido. Há quem sabe falar, porém, por inibição, eu ainda não tinha ouvido a sua voz. Há que tem reais dificuldades de dicção. Balbucia os sons. Quer falar, porém não é compreendido porque não fala claramente. Nesta semana, realizei atividades que intensificaram a necessidade de expressão. Quando as crianças desejavam algo, tiveram a necessidade de falar e, falar de forma clara. Por exemplo: Quando queriam mais comida, não foi mais aceito que expressassem isso com resmungos e gestos, mas, com palavras que pudessem ser compreendidas. Nas atividades lúdicas, foi estimulado a participação com alegria. Acredito que este, seja o motivo que encorajou uma aluninha a fazer uso da linguagem oral na comunicação com os colegas e professora. Flagrei ela conversando com as coleguinhas espontaneamente durante as brincadeiras, teve um momento que o brinquedo que ela estava montando com os légos caiu e ela, rapidamente olhou-me e disse: CAIU! Observei ela sorrindo, demonstrando que estava interagindo, coisa que ela não havia ainda experienciado até então. Quanto há um outro aluninho que mencionei no início deste texto, “QUE TEM REAIS DIFICULDADES”, tenho exaltado com euforia quando ele consegue dizer algo em que percebo que ele compreende o que está dizendo, mesmo que ainda não seja a forma literal da palavra. Percebi que ele usa a palavra BOI para qualquer palavra. Tenho segurado ele com carinho, de forma que ele fique bem pertinho de meu rosto e pedido que ele repita as palavras que sei que ele quer falar. Em alguns momentos, com muita dificuldade ele tem acertado as vogais, usando como única consoante a letra “B”. percebi significativo progresso com ele e tenho compartilhado com a mãe. Ela está ciente e fazendo exercícios de dicção em casa também. Demonstra estar atenta e disposta a cooperar.
Algumas filmagens e fotos foram feitas para que eu possa fazer comparações no desenvolver do processo deste projeto.
As crianças passaram perceberem-se e perceber os coleguinhas. Sair do casulo da fase do egocentrismo, característica do período sensório-motor e despertar para “o fora de si mesmas”. O cartaz de boas vindas colocado do lado de fora da porta da sala, com as mãozinhas deles, feitas com tinta e no centro de cada uma, o rostinho recortado de fotografia, parece ter caracterizado a sala como sendo deles e eles como indivíduos.
As crianças têm consciência que filmagens e fotografias reproduzem as suas imagens e isso tem sido um recurso para o desenvolvimento da identidade.
Há uma aluna que ainda chorava na chegada à escola e não participava de nenhuma atividade em grupo, nem o simples ato de sentar na rodinha. Qualquer coisa que ela percebia como atividade coletiva, rejeitava e não realizava. Comecei a não enfatizar o fato de que ela estava diferente dos demais, mas, supervalorizar o coletivo. Ela demonstrou claramente a  necessidade de ser notada, já que individualmente não estava sendo vista. Esta semana começou a brincar com os coleguinhas na pracinha, flagrei ela conversando com as coleguinhas, mesmo que de forma autoritária, dando ordens, mas, interagindo. Não chora mais ao chegar na escola, parece estar gostando de fazer parte do grupo e ter uma atividade social. A mãe demonstra alegria e surpresa.
Estou preocupada com outra, ao mesmo tempo que gosta da escola, chora quando chega e em alguns momentos durante o dia, sempre que tem a minha atenção. Por exemplo, no banheiro quando coloco ela para fazer xixi. Fizemos combinações e ela está tentando cumprir (não chorar), mas, tem a necessidade de ser lembrada. Conversei com a psicóloga, estagiária da escola e ela iniciou o processo de observação e marcou uma conversa com os pais. Ao mencionar a minha preocupação com a mãe, esta disse que observou a mudança também em casa, ela está agressiva e triste. Parece estar em fase de readaptação.
Acredito assim como, definir as características de todos os ambiente, a identidade de cada um no ambiente coletivo, que os lugares no refeitório também devem estar devidamente identificados. Iniciamos nesta semana esta definição e, em dois dias, percebo que algumas crianças já sabem a ordem da chamada e seus lugares. Percebi isso sexta feira quando chamei a primeira da fila e os demais foram levantando sem serem chamados. Num primeiro momento identifiquei como não terem compreendido a dinâmica da chamada, depois percebi que eram exatamente os nomes que seriam chamados na sequência. É incrível, como que, com as crianças as coisas e conceitos são compreendidos muito rapidamente. Acredito que isso acontece pela sequência progressiva e gradual das atividades e por causa do olhar do professor que prepara e sabe o que está fazendo.
Tenho observado que outro aluno está mais agressivo, morde os colegas e até crianças de outras turmas todos os dias. Conversei com a mãe e ela está surpresa, meia perdida sem saber o que fazer. Ele é um menino que tem dificuldades em aceitar que não é o centro das atenções, como o trabalho de estágio me remete à atividades que necessitam de uma observação de todas as crianças, a atenção à ele foi desviada e ele pode estar querendo exclusividade.
Também tive necessidade de reorganizar o ambiente da sala de aula, mudando lugares dos recursos didáticos e pedagógicos seguindo uma lógica de facilitadores da prática do planejamento e rotina das aulas.
As brincadeiras em sala de aula tiveram uma mudança na definição dos sentidos. Antes, a brincadeira era livre, as crianças brincavam com os brinquedos que tinham interesse e via-se todos os brinquedos sendo utilizados ao mesmo tempo, ficando difícil a seriação e classificação na hora de guardá-los. Senti a necessidade de trabalhar a construção dos conceitos de seriação e classificação, para tanto a redução dos itens é essencial. Quando brincamos com as coisas da cozinha, não brincamos com légos, por exemplo. Percebi que ficou mais fácil observar a criança e o estágio que se encontra e de que forma posso agir, sendo articuladora no processo de construção da aprendizagem.
Com as atividades sendo objetivas no desenvolvimento da identidade e percepção dos indivíduos coletivamente, algumas crianças que usam fraldas, manifestaram o desejo de fazer como os coleguinhas xixi e cocô no vaso. Estamos estimulando está prática, professoras e mamães.
As filmagens realizadas até então e as fotografias foram vistas pelas crianças com muita euforia. Coloquei o data show e fizemos uma “seção de cinema”. As crianças gritavam com a cada imagem que reconheciam.
Algumas atividades criadoras não foram realizadas: O auto-retrato nas fichas com número da ordem das chamadas e a pintura nas capas dos livrinhos. O motivo foi o mesmo, falta de tempo. Tenho a impressão que o dia é muito pouco para a rotina que esta estabelecida. Há a necessidade para todas as atividades, mas, tudo é muito corrido porque são muitas para o tempo que se tem. A troca de fraldas e o tempo dispensado para levar as crianças fazer xixi e cocô no banheiro interferem nas atividades da rotina porque são prioridades absolutas. Na próxima semana retomaremos as atividades que não foram realizadas, pois, são necessárias à sequência do livrinho e do processo de identificação das pastinhas das crianças. Outra coisa que está interferindo de forma não tão positiva é que a professora, colega de sala, que vinha trabalhando com as crianças desde o início do ano, esteve de licença e volta à escola em caráter de desvio de funções, ou seja, não será mais professora desta turma. Com isso as crianças perderam um pouco a referência, ficam inseguras e levam um pouco mais de tempo para voltar à uma rotina organizada. Tenho tido professoras substitutas e com isso as crianças têm um total de 4 professoras. Isso é muito negativo, algumas até voltaram a fazer xixi nas calças e mudaram seu comportamento. Estamos esperando uma professora que será nomeada e virá para a turma definitivamente assim como eu. Isso fará com que tudo volte a ter a característica de rotina, ordem e tranqüilidade trazendo às crianças a segurança que elas precisam.

Um comentário:

Anice - Tutora PEAD disse...

Elisângela:

Tua postagem está bárbara!!!

Descreves com detalhes tuas percepções e observações recheadas de reflexões, além de um domínio claro sobre as situações!

Grande abraço, Anice.