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16 de mai de 2009

POR QUE NÃO APRENDEMOS A ENSINAR?


Definição de Fernando Becker para Pedagogia diretiva quando pensa na relação ensino/aprendizagem, quando descreve o ambiente de sala de aula analizando: “Penso que o professor age assim porque ele acredita que o conhecimento pode ser transmitido para o aluno. Ele acredita no mito da transmissão do conhecimento – do conhecimento enquanto forma ou estrutura; não só enquanto conteúdo.” Começo agora, então, a duvidar da minha concordância com a definição de conhecimento que aqui apresento e anteriormente concordada. Quando Becker diz que o professor age assim por que aprendeu a ensinar assim eu concordo com ele. Mais ainda, acredito que a falta de ter aprendido a ensinar também pode ser a causa. Falo por mim, pelas experiências as quais tenho adquirido observando colegas nas escolas em que já trabalhei e trabalho. Não me lembro de em momento algum no curso do magistério em que fiz ter aprendido qualquer coisas referente à epistemologia genética. E, olha que sou nova na profissão, imagino os colegas com formação de magistério e profissão mais antiga que aminha. Tenho observado que mesmo os colegas que tem graduação em pedagogia ou algo equivalente, não sabem nem o significado e/ou conceitos de alguns termos. Ainda hoje somos professores um tanto quanto retrógrados e não só não aprendemos a ensinar, o como ensinar que sabemos nos foi transmitido culturalmente, seja com nossos professores enquanto discentes sejam nas informações absorvidas na sociedade. Trata-se de conhecimento ou falta deste transmitido culturalmente. Porém estudando os textos no decorrer do PEAD observei que muitos teóricos vêm estudando sobre epistemologia genética há décadas. O que está acontecendo que estas teorias não fazem parte do currículo dos cursos de formação dos professores e , quando fazem, são abordados de forma “pincelada” e quando estudados mais profundamente não chegam a ser uma prática docente?
Analisando aminha prática docente posso dizer que sou um pouco empirista. Tenho traços e características nas atitudes que se assemelham a uma pedagogia empirista. Questiono-me o porquê disso. Por que a todo instante critico as minhas ações e vou fazendo dia adia a diferença. Considero-me uma professora preocupada com a aprendizagem, auxiliadora na construção do conhecimento, então, também seguindo um modelo não-empirista. Para mim o aluno já vem com conhecimentos pré-concebidos e servem como base para a construção e aquisição de novos saberes. Claro que não uma não-diretiva radical que não vá interferir na aprendizagem dos alunos. Desta vez mais diretiva acredito. É importante esta interferência auxiliando-o no processo da aprendizagem.
Tanto é cultural o ser professor que os pais desvalorizam um educador que não possui esta ou aquela informação, este ou aquele conhecimento “Professor é um depósito de conhecimentos que transmite aos alunos se estes têm capacidade de aprender”. O professor é o sabedor, o aluno “o papel em branco que deve ser preenchido”. Ainda hoje se tem sim essa noção. Quando um professor aparece vendo o ensino aprendizagem com um olhar diferente, é visto com maus olhos pelos colegas, taxado de idealista e sem noção.
Confesso que estou angustiada por que estudando a teoria relacional identifico-me profundamente como uma professora fazendo a coisa certa, considerando as fases do desenvolvimento de Piaget, etc, etc e tal. Quando Fernando descreve o professor num modelo pedagógico relacional tenho a impressão de que ele se baseou em mim e na minha sala de aula para caracterizar.
“Uma luz no fim do túnel!” “O professor, além de ensinar, precisa aprender o que seu aluno já construiu até o momento - condição prévia das aprendizagens futuras. O aluno precisa aprender o que o professor tem a ensinar (conteúdos da cultura formalizada, por exemplo); isto desafiará a intencionalidade de sua consciência (Freire, 1979) ou provocará um desequilíbrio (Piaget, 1936; 1967) que exigirá do aluno respostas em duas dimensões complementares: em conteúdo e em estrutura. Para Freire, o professor, além de ensinar, passa a aprender; e o aluno, além de aprender, passa a ensinar. Nesta relação, professor e alunos avançam no tempo.” Aqui se explica minha ação docente quando me preocupo em proporcionar um ambiente em sala de aula harmônico e favorável para o processo de desenvolvimento da aprendizagem. Bem como, considero a bagagem cultural de cada criança como base para a construção do conhecimento. Ufa! Estou nesta definição então: A <____>P. Há uma inter-relação entre sujeito e objeto com um modelo de pedagogia relacional.
Sou obrigada a concordar com Fernando quando diz que não se desmonta um modelo de pedagogia arcaica simplesmente com a crítica. “Uma proposta pedagógica, dimensionada pelo tamanho do futuro que vislumbramos, deve ser construída sobre o poder constitutivo e criador da ação humana”. Então mãos a obra e sigo minha ação reflexão, teoria e prática que serão justificadas em transformações futuras.

BIOGRAFIA:

BECKER FERNANDO, Modelos pedagógicos e modelos epistemológi